sábado, 12 de fevereiro de 2011

Os jovens fazendo História

        Ontem, falei em sala de aula, que a gente percebe que está envelhecendo quando começa a falar das coisas que aconteceram, não como professor, mas como testemunha dos fatos.
         Ontem mesmo, algumas horas depois dessa aula, tomei conhecimento e “testemunhei” mais um fato histórico importante: a renúncia do presidente do Egito, Hosni Mubarak, que marca não apenas o fim de uma ditadura de 30 anos, mas o início de uma era democrática.
         É inegável a participação dos jovens egípcios no desfecho desse imbróglio: se eles não fossem para as ruas, exigir de maneira consciente e ordeira, algo melhor para o país deles, nada teria acontecido. Fiquei a lembrar da atuação dos jovens brasileiros à época da Ditadura Militar (1964-1985), à época das “Diretas Já” (1983-1984) e à época dos “caras-pintadas” (1992) e me perguntei: por que será que os nossos jovens de hoje são tão alheios às questões políticas e sociais? Será que se nossos jovens organizassem (de forma consciente e ordeira) movimentos semelhantes exigindo mais ética, transparência e, principalmente, honestidade de nossos representantes políticos não teríamos um país melhor e, consequentemente, um futuro melhor?
         A maioria dos jovens não sabe o poder que tem nas mãos. Tomara que os resultados conseguidos pelos jovens egípcios – aliado ao restante da população egípcia, diga-se de passagem – sirvam de inspiração para o nosso povo, que também – ainda – desconhece o seu poder.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Saiu a lista de obras literárias da UFPR


A Universidade Federal do Paraná divulgou no dia 02 de fevereiro de 2011 a lista de obras literárias indicadas para o Concurso Vestibular dos próximos dois anos. A lista inclui quatro novos títulos em relação à lista passada:
- Lucíola (José de Alencar)
- Novas diretrizes em tempos de paz (Bosco Brasil)
- O bom crioulo (Adolfo Caminha)
- Poemas escolhidos (Gregório de Matos)
A escolha das quatro novas obras, a meu ver, foi bastante acertada: “Lucíola” é um clássico do Romantismo brasileiro; “Novas diretrizes...” é um texto teatral ambientado no período da Ditadura Vargas; “O bom crioulo” discute o homossexualismo no século XIX, à luz naturalista e Gregório de Matos representa a Literatura Colonial brasileira (Barroco). Aliás, até que enfim a UFPR resolveu colocar um título de nosso período colonial na lista de obras.
Por outro lado, causa estranheza a ausência do nome de Machado de Assis que sempre frequentou as listas de obras da UFPR. Outra coisa que sempre discuti com os alunos em sala de aula e que não consigo me conformar: a ausência de um autor paranaense. É incoerente que a principal instituição de ensino superior do Paraná não contemple um autor local. O jeito é aguardar para daqui a dois anos, quando uma nova lista virá.
De resto, aos candidatos, as recomendações de praxe: leiam as obras integralmente (sim, o candidato é obrigado a ler todas as obras). Resumos, encenações teatrais, filmes (há uma bela adaptação para o cinema do texto de Bosco Brasil: “Tempos de Paz”), músicas e qualquer outro tipo de “macete” devem ser entendidos pelo candidato como um recurso adicional para o entendimento da obra e não como o “único recurso”. Também é necessário conhecer a Literatura Histórica Brasileira para se compreender melhor o contexto histórico, social e estético que cercam a composição das obras indicadas.

Segue a lista na íntegra:

• Anjo negro (Nelson Rodrigues)
• Felicidade clandestina (Clarice Lispector)
• Inocência (Visconde de Taunay)
• Lucíola (José de Alencar)
• Novas diretrizes em tempos de paz (Bosco Brasil)
• O bom crioulo (Adolfo Caminha)
• Poemas escolhidos (Gregório de Matos - organização de José Miguel Wisnik)
• Romanceiro da Inconfidência (Cecília Meireles)
• São Bernardo (Graciliano Ramos)
• Urupês (Monteiro Lobato)

Mais informações: nc.ufpr.br